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Como evitar golpes na energia solar: sinais de alerta

Identifique praticas abusivas e golpes na venda de sistemas fotovoltaicos. Red flags, verificacoes essenciais e como escolher um integrador confiavel.

Por Redação Editorial CustoSolar

O mercado solar cresceu — e os golpes cresceram na mesma proporção

O Brasil instalou mais de 40 GWp de energia solar fotovoltaica até 2025. Esse crescimento extraordinário criou um mercado de R$ 45 bilhões ao ano — e atraiu não apenas empresas sérias e profissionais qualificados, mas também oportunistas, fraudes e instaladores sem qualificação que causam danos reais aos consumidores.

O Procon e o Reclame Aqui registraram aumento de 340% nas reclamações sobre energia solar entre 2020 e 2025. Os problemas vão desde promessas de economia que nunca se realizam, passando por equipamentos inferiores aos contratados, até casos em que a empresa desaparece após receber o pagamento sem concluir a instalação.

Conhecer os sinais de alerta é a melhor proteção. Este guia reúne os principais red flags identificados em casos reais de fraude e má-prática no setor solar brasileiro.

Os 8 principais sinais de alerta de golpe em energia solar

Red flag 1: payback prometido de 2 anos ou menos

Em 2026, com a cobrança progressiva do Fio B (45% em 2026, chegando a 60% em 2027), o payback realista para sistemas residenciais em São Paulo varia de 3,7 a 5,5 anos. Payback de 2 anos só é possível em condições extremamente específicas:

  • Tarifa acima de R$ 1,40/kWh (não existe em tarifa residencial convencional)
  • Irradiação excepcional (acima de 6,0 HSP — só em partes do Nordeste)
  • Consumo acima de R$ 3.000/mês
  • Combinação de todas essas condições simultaneamente

Para uma residência comum em São Paulo ou Minas Gerais com conta de R$ 500/mês, promessa de payback de 2 anos é mentira — seja por ignorância do vendedor ou por intenção de enganar.

O que responder: “Pode me mostrar o cálculo detalhado com os números da minha distribuidora e com o Fio B incluído?”

Red flag 2: preço muito abaixo do mercado

Em 2026, o custo mínimo viável de um sistema de 6 kWp instalado com equipamentos tier-1 e ART é aproximadamente:

  • Painéis (10 × 600 W): R$ 6.000
  • Inversor: R$ 3.500
  • Estrutura e materiais elétricos: R$ 4.500
  • Mão de obra + projeto + ART: R$ 4.000
  • Homologação: R$ 600
  • Total mínimo: R$ 18.600

Se alguém oferece esse sistema por R$ 12.000 ou menos, algo está errado. As possibilidades são:

  • Painéis sem certificação INMETRO (contrabandeados ou lotes rejeitados)
  • Painéis usados ou remanufaturados vendidos como novos
  • Inversor sem garantia real no Brasil
  • Sem ART (instalação irregular)
  • Mão de obra sem qualificação que gera problemas futuros

O que responder: peça nota fiscal de todos os equipamentos com número de série, marca e modelo. Equipamentos legítimos têm NF.

Red flag 3: ausência de ART no contrato

A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é obrigatória por lei para qualquer instalação elétrica — incluindo sistemas fotovoltaicos, independente do tamanho. Sem ART:

  • A instalação é irregular perante a lei
  • A ANEEL pode recusar a homologação na distribuidora
  • Qualquer sinistro (incêndio, choque elétrico) não será coberto pelo seguro
  • Em caso de problema com o telhado, fica difícil responsabilizar o instalador juridicamente

Como verificar: peça o número da ART e consulte no site do CREA do estado se está registrada para o seu endereço específico — não uma ART genérica.

Red flag 4: painéis sem certificação INMETRO

Desde janeiro de 2022, a Portaria INMETRO 358/2019 tornou obrigatória a certificação de painéis fotovoltaicos vendidos no Brasil. Painéis sem o selo INMETRO podem ser:

  • Contrabandeados (sem recolhimento de impostos devidos)
  • De lotes rejeitados em testes de qualidade
  • De fabricantes sem capacidade de honrar garantia no Brasil
  • Com especificações diferentes das declaradas (potência menor do que o indicado)

Como verificar: peça o datasheet oficial do painel. O número de certificação INMETRO deve constar no documento. Você pode verificar a validade em inmetro.gov.br.

Red flag 5: empresa sem endereço físico verificável

Empresas golpistas frequentemente operam apenas por WhatsApp e Instagram, sem endereço físico real. Verifique:

  1. Consulte o endereço registrado no CNPJ (Receita Federal)
  2. Pesquise no Google Maps — existe um estabelecimento comercial nesse endereço?
  3. Ligue para o telefone fixo registrado (não só o celular)
  4. Se possível, visite o endereço antes de assinar qualquer contrato

Empresas sérias têm escritório, depósito ou showroom onde você pode verificar a operação.

Red flag 6: pagamento 100% adiantado via PIX

Nenhuma empresa séria exige 100% do valor antes de iniciar qualquer serviço. O modelo seguro de pagamento:

  • 30% na assinatura do contrato (permite compra de materiais)
  • 50% no início da instalação (quando os equipamentos chegam ao local)
  • 20% após a homologação completa e funcionamento confirmado

Empresas que exigem tudo antes são empresas que planejam desaparecer após o recebimento — ou que não têm capital de giro para operar de forma profissional.

Red flag 7: pressão para fechar o contrato em 24 horas

“Esse preço é só até amanhã”, “temos um cancelamento e posso instalar semana que vem se fechar agora”, “vai acabar o estoque de painel” — essas frases são técnicas de venda de alta pressão que impedem você de pesquisar, comparar e verificar a empresa.

Energia solar é um investimento de R$ 20.000 a R$ 100.000 com vida útil de 25 anos. Nenhuma decisão desse tamanho deve ser tomada em 24 horas. Qualquer empresa séria aceita que você tire o tempo necessário para verificar e comparar.

Red flag 8: promessa de equipamentos de ponta a preço de commodity

“Painéis Tier-1 garantidos de 30 anos por R$ 800 o painel” quando o preço de mercado é R$ 1.000 a R$ 1.400 por painel de qualidade. Se soa bom demais para ser verdade, provavelmente não é verdade.

Como verificar a confiabilidade de um integrador: checklist completo

Verificações documentais (faça antes de qualquer reunião)

  • CNPJ ativo na Receita Federal
  • CNAE inclui instalação elétrica (4321-5/00) ou energia solar
  • Empresa com mais de 2 anos de existência
  • Endereço registrado é comercial e verificável
  • Não há reclamações graves no Reclame Aqui (1 ou 2 reclamações pontuais são normais; dezenas são sinal de alerta)

Verificações técnicas (faça durante a proposta)

  • Engenheiro responsável identificado com número de CREA verificável
  • Proposta especifica marca e modelo de cada componente
  • Datasheet dos painéis com certificação INMETRO
  • Relatório de simulação com software de geração identificado
  • Garantias por escrito no contrato (produto + serviço + infiltração)
  • Prazo de homologação declarado

Verificações de referência (faça antes de assinar)

  • Pelo menos 2 clientes contactados por telefone (não e-mail)
  • Fotos de instalações recentes verificadas
  • Associação à ABSOLAR verificada (não obrigatório, mas positivo)

Tipos de golpe mais comuns no setor solar brasileiro

Golpe 1: a troca de equipamentos

O cliente contrata painéis de 550 W de marca reconhecida e recebe painéis de 400 W de marca desconhecida. A troca é difícil de detectar se o cliente não verificar as etiquetas dos painéis antes da instalação e não tiver nota fiscal detalhada.

Proteção: exija nota fiscal com marca, modelo e número de série de cada painel. Confira as etiquetas no momento da instalação.

Golpe 2: o sistema não homologado

A empresa instala os painéis, recebe o pagamento e nunca conclui a homologação na distribuidora. O sistema “funciona” (inversor liga) mas não está legalmente conectado à rede — nenhum crédito é gerado e o medidor não é bidirecional.

Proteção: o pagamento final (20%) deve ocorrer apenas após a confirmar a atualização do medidor pela distribuidora e verificar créditos na conta de luz.

Golpe 3: a empresa fantasma

Empresa aberta especificamente para fazer vendas no verão (pico de interesse em solar) e fechar em março, antes que os problemas apareçam. Os sócios abrem outro CNPJ e repetem o processo.

Proteção: empresas com mais de 3 anos de existência e com histórico verificável são muito menos propensas a esse tipo de golpe.

Golpe 4: a promessa de financiamento inexistente

“Aprovamos qualquer CPF, financiamento zero burocracia” — o consumidor é atraído pela facilidade, assina vários documentos sem ler e descobre depois que assinou uma CCB (Cédula de Crédito Bancário) com juros altíssimos para um sistema superfaturado.

Proteção: nunca assine documentos sem ler e entender cada cláusula. Se tiver pressa para assinar, desconfie.

O que fazer se você já caiu em um golpe

  1. Registre Boletim de Ocorrência: na delegacia mais próxima ou pelo portal da Polícia Civil do seu estado. Guarde o número do B.O.

  2. Reclame no Procon: o Procon estadual ou municipal pode intimar a empresa e mediar a devolução de valores.

  3. Denuncie ao CREA: se houve exercício ilegal de engenharia (instalação sem ART de engenheiro real), denuncie ao CREA estadual.

  4. Registre no Reclame Aqui e Google: além de ajudar outros consumidores, a visibilidade pública frequentemente acelera a resolução de problemas.

  5. Consulte um advogado: para acionamento judicial ou extrajudicial, especialmente em casos acima de R$ 10.000.

  6. Denuncie à ABSOLAR: se a empresa era associada, a entidade pode acionar mecanismos disciplinares e avisar o mercado.

Fontes e referências